Em artigo publicado pela Rumo nesse periódico no dia 27 de dezembro, o assessor de imprensa da concessionária mencionou a UEPP como “novelista” quando cumprimos o direito de questionar a falta de assistência no trecho ferroviário pertencente a região de Presidente Prudente, a qual ela é responsável. Quem dera fosse apenas uma dramaturgia, mas infelizmente não é.

 

 

 

Vivemos um verdadeiro descaso com a história da ferrovia da Alta Sorocabana. Como ele mesmo lembrou, a Rumo é resultado da fusão com a extinta ALL (América Latina Logística), onde em 2015 recebeu a concessão da ferrovia que já encontrava-se em estado de abandono incluindo trechos sem operação. Ele disse que nesse período, cerca de R$ 7,5 bilhões foram destinados a benfeitorias. No entanto, zero centavos foram investidos em Presidente Prudente. Nossos trechos continuam sucateados, vítimas do vandalismo e corroídos pelo tempo.

 

 

 

A única tecla que eles insistem em bater é a falta de demanda entre Prudente e Ourinhos. Na verdade, um equívoco da parte da Rumo. Primeiro, pois a UEPP já comprovou por meio de documentos assinados pelos propensos clientes e entregues ao MPF (Ministério Público Federal) e ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) cuja demanda é de 1 milhão de toneladas/ano. Segundo, que a Rumo nunca entregou uma negativa plausível, aliás, sequer fez a lição de casa e conversou com todas as empresas da região, como foi solicitado por nós. E o impasse segue: as diversas empresas com grande capacidade de carga interessadas na prestação do serviço de transporte ferroviário somente utilizarão a ferrovia se esta estiver em perfeitas condições de circulação e preço justo.

 

 

 

Outro ponto que destacamos no artigo de contestação é ao ser mencionado que a Rumo honra o compromisso com a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) quando promove audiências públicas semestrais com empresas da região de Prudente. Fato é que a UEPP não participou das recentes reuniões (junho e dezembro de 2018), pois de nada adiantaria comparecer e sair com aquela sensação de um passo à frente e dois para trás.

 

 

 

Como é sabido, a UEPP reiterou em audiência de dezembro de 2017 que a entidade não iria mais participar de reuniões sem os necessários esclarecimentos sobre a disparidade de tarifas apresentadas em comparação a outras regiões com as mesmas características de logística atendidas pela Rumo. Por isso, em nossa recente interlocução, desafiamos a Rumo a enviar relatórios de visitas com assinaturas de predispostos clientes com as propostas apresentadas e suas respostas, que subsidiaram ausência de demanda, já comprovada nos autos do processo judicial. Também requeremos a garantia da apresentação de uma alternativa de ligação da região à propensa reinserção do trecho Bauru x Marília x Tupã x Panorama, declarada em julho passado durante encontro entre diretor da Rumo e autoridades locais.

 

 

 

O projeto prevê a reconstrução de trechos da ferrovia, funcionando como a principal porta de entrada e saída de mercadorias do país, por meio do porto de Santos, beneficiando os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. É válido lembrar que a renovação da Malha Paulista e da linha-tronco oeste prevê prorrogação da concessão por 30 anos, excluindo a região de Presidente Prudente, inserida à malha Sul. Não temos outra conclusão a não ser que tal prioridade fez com que a Rumo deixasse, há muito tempo, de observar a função social e de integração da ferrovia para privilegiar apenas seus próprios interesses. Qual final a RUMO pretende dar a tal “novela” ? A região não aceita outro final senão aquele que vai resultar no retorno do trem, o que certamente será o mais feliz para nossa ainda combalida Alta Sorocabana.

 

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