Na última sexta-feira, 22, foi realizada audiência pública na Câmara Municipal para ouvir a população em relação ao relatado pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo, pais de crianças e professores sobre a ideia do Executivo em transferir os boxistas do camelódromo para o PUM (Parque de Uso Múltiplo) durante a reforma na Praça da Bandeira.

 

 

Em depoimentos, as mães representantes ressaltaram que, se aprovada a transferência temporária do camelódromo para o PUM, a preocupação é que crianças e adolescentes usuárias do espaço terão que coexistir com o público adverso que frequentará os boxes. “São ambientes completamente distintos e não tem necessidade de nossos filhos compartilharem isso”, ressaltou Luciana de Camargo Batista, mãe de três adolescentes atletas. “É válido ressaltar que o PUM não é ocioso, é utilizado por 700 crianças, adolescentes, pessoas com deficiência, idosos e universitários, diariamente, incluindo finais de semana com torneios, ligas e campeonatos”, lembrou. Luciana também disse que as informações estão sendo obtidas por meio dos órgãos de imprensa, pois até o momento, os pais de alunos não tiveram a oportunidade de se reunir com o governo municipal para oitiva.

 

Maria Isabel, mãe de dois alunos, salientou que o Poder Público não arca com as despesas aos jovens que competem fora e outras providências. “São 85 atletas enviados à delegação nos Jogos Abertos de 2019, mas sendo que precisávamos de no mínimo 500 pessoas, mas não temos apoio ao esporte. Somos nós, pais, que compramos itens para caixa de primeiros socorros. Fazemos bazares para angariar fundos para as despesas das crianças carentes, algo que é de responsabilidade da Prefeitura”, denunciou.

 

Professor há 32 anos e ex-aluno, José Alves da Silva Junior, conhecido como Negativo, salientou que o Parque de Uso Múltiplo é um celeiro de formação nas sete modalidades aplicadas, e os espaços sugeridos pela Prefeitura não comportam, o que poderia resultar numa evasão dos alunos. “O esporte é capaz de mudar vidas, socializar pessoas e sinônimo de vida saudável, além disso, o PUM é um espaço dedicado exclusivamente para atividades esportivas, e não faz sentido usar para outra intenção”, reforçou Raquel Laura Villani, representante dos alunos.

 

 

A defensora pública, Giovana Devito dos Santos Rota, abriu sua fala lamentando a falta de presença de representantes do Poder Público na audiência e reiterou as colocações feitas pelos pais. Conforme, sobre a possível transferência das atividades, em ofício, o governo municipal indicou alguns locais para a migração das atividades para quadras poliesportivas nos bairros: Cohab (karatê), Jardim Itapura (kung fu e judô), e Parque do Povo (futsal); já basquete ficaria na Apea (Associação Prudentina de Esportes Atléticos) e handebol permanecendo na quadra do PUM.

 

De acordo com Giovana Devito, o governo municipal indicou o remanejamento para alguns espaços esportivos, mas se silenciou nas modalidades de ginástica artística e atividades para os idosos, por exemplo. “Essas soluções deixam claro que não haverá centralização das atividades e geram dúvidas quanto à continuidade das aulas”, pontuou.

 

Prefeitura

 

De acordo com notícia publicada no site da prefeitura em 16 de outubro, durante as obras de revitalização do camelódromo, que acontecerá a partir de janeiro, nenhuma atividade esportiva será interrompida por conta das adequações, definidas em comum acordo entre a prefeitura, o Ministério Público e a Justiça, já que apenas parte do PUM será utilizada pelos comerciantes. O complexo principal, com quatro quadras, continuará à disposição dos alunos e atletas da cidade normalmente. Paralelamente, o município também levará alguns dos alunos para a quadra poliesportiva coberta do Parque do Povo, para clubes da cidade e também o Ginásio de Esportes “Watal Ishibashi”.

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